Após 50 dias, dupla que fugiu da penitenciária de Mossoró é presa

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Publicado em 4 de abril de 2024, 15:27 |
Modificada em 4 de abril de 2024, 16:22
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Rogério Mendonça e Deibson Nascimento escaparam da penitenciária federal no dia 14 de fevereiro. Eles foram presos pela PRF e PF

A Polícia Federal (PF) informou nesta quinta-feira, 4, que recapturou em Marabá, Pará, os dois fugitivos que haviam escapado da Penitenciária Federal de Mossoró, localizada no Rio Grande do Norte. Rogério da Silva Mendonça, de 35 anos, e Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos, tinham fugido do presídio no dia 14 de fevereiro. Após 50 dias, eles foram localizados e detidos novamente. O Ministério da Justiça informou que eles foram detidos em uma ação conjunta das Polícias Federal e Rodoviária Federal.

A dupla foi encontrada na cidade de Marabá (PA), que fica a 1.600 quilômetros de Mossoró (RN). Inquérito da Polícia Federal revelou que os dois fugitivos receberam assistência de uma rede de apoio organizada pelo Comando Vermelho, facção criminosa à qual são membros.

A operação incluiu o monitoramento de três veículos que, de acordo com as investigações, estavam fornecendo cobertura para a fuga. Ao todo, seis pessoas foram detidas nos três automóveis. Um dos fugitivos foi capturado pela Polícia Federal, enquanto o outro foi detido pela Polícia Rodoviária Federal. 

Os suspeitos foram detidos na ponte que cruza o Rio Tocantins. A prisão foi realizada nesse ponto específico para evitar uma possível fuga através do rio. Com o grupo, foi apreendida uma arma, dinheiro e celulares. As informações são da TV Globo. 

Deibson Nascimento – Foto: Polícia Federal

Deibson foi detido em agosto de 2015 e também cumpriu pena no presídio federal de Catanduvas, no Paraná.

Ele tem condenações e é acusado de envolvimento em assaltos, furtos, roubos, homicídios e latrocínio.

Rogério Mendonça – Foto: Polícia Federal

Rogério estava cumprindo pena no Acre quando foi transferido para o Rio Grande do Norte.

Assim como Deibson, Rogério também é membro de uma organização criminosa e deve cumprir sentença de dois anos, até 25 de setembro de 2025.

“Na tarde desta quinta-feira (4), em uma ação conjunta das polícias Federal e Rodoviária Federal, foram presos, em Marabá (PA), os foragidos do Sistema Penitenciário Federal Rogério Mendonça e Deibson Nascimento”, informou a PF em nota oficial.

Investigadores informaram que a dupla será transferida de volta a Mossoró, e que essa ação é considerada uma “questão de honra” para o Ministério da Justiça, responsável pela coordenação do sistema penitenciário federal.

Os dois detentos estavam na unidade desde setembro de 2023. Eles conseguiram abrir caminho por um buraco localizado atrás de uma luminária da prisão e cortaram duas cercas de arame utilizando ferramentas provenientes de uma obra em andamento nas instalações. Esta foi a primeira fuga registrada na história do sistema penitenciário federal.

Ajuda do lado de fora 
Durante o período em que estiveram foragidos, Deibson e Rogério teriam sido auxiliados por uma rede de apoio externa ao presídio. Pelo menos oito pessoas foram detidas. O último a ser capturado foi o mecânico Ronaildo Fernandes, que teria recebido R$ 5 mil em sua conta para repassar aos fugitivos. 

Fernandes é o proprietário da terra em Baraúna, na divisa entre Rio Grande do Norte e Ceará, onde a dupla permaneceu escondida por oito dias. No local, Nascimento e Mendonça se abrigaram em uma cabana improvisada no meio da plantação e escavaram buracos para evitar a detecção por drones e helicópteros que patrulhavam a região, situada a cerca de 30 quilômetros do presídio.

O mecânico foi preso preventivamente nesta segunda-feira, por suspeita de colaborar com os fugitivos. Ele alega inocência, afirmando que foi coagido a prestar ajuda.

A Polícia Federal já havia detido outros cinco suspeitos de auxiliar os dois fugitivos da penitenciária federal de Mossoró. Um deles é o irmão de Deibson Nascimento. Johnney Weyd Nascimento foi preso na última sexta-feira, no Acre. Ele foi condenado por roubo e participação em organização criminosa, e tinha um mandado de prisão em aberto.

Os agentes também cumpriram nove mandados de busca e apreensão em Mossoró (RN), Quixeré (CE) e Aquiraz (CE). Os investigadores suspeitam que os fugitivos tenham recebido auxílio de membros do Comando Vermelho, que têm presença na região. Um veículo e armas foram apreendidos na casa de um dos alvos.

Quem são 
Os fugitivos são Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, também conhecido como “Tatu” ou “Deisinho”. Ambos são naturais do Acre e estavam sob custódia na Penitenciária Federal de Mossoró desde 27 de setembro de 2023, conforme divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública na época.

No ano passado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Acre informou que Rogério e Deibson estavam entre os detentos envolvidos na rebelião ocorrida em julho de 2023 no presídio de segurança máxima Antônio Amaro Alves. Na ocasião, cinco prisioneiros foram assassinados.

Deibson foi detido em agosto de 2015 e também cumpriu pena no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Ele tem condenações e é acusado de envolvimento em assaltos, furtos, roubos, homicídios e latrocínio.

Já Rogério estava cumprindo pena no Acre quando foi transferido para o Rio Grande do Norte. Ambos são membros de uma organização criminosa e deveriam cumprir uma sentença de dois anos, até 25 de setembro de 2025.

O presídio federal de Mossoró foi inaugurado em 2009 e é o único localizado no Nordeste. Com uma área de 13 mil metros quadrados, abriga mais de 200 detentos e nunca havia registrado uma fuga.

Além de Mossoró, o Sistema Penitenciário Federal conta com presídios em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Brasília (DF), que abrigam detentos de alta periculosidade.

Força-tarefa
Após a fuga, autoridades locais e federais uniram esforços em uma força-tarefa para capturar os fugitivos. O grupo contava com a participação da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Polícia Militar do estado. A Força Nacional também foi mobilizada para auxiliar na operação, porém se retirou da força-tarefa em 30 de março, após 46 dias de busca.

De acordo com o Ministério da Justiça, a partir desse momento, as investigações passaram a ser concentradas em ações de inteligência.

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