Uma produtora paulista prepara uma série documental inspirada nos últimos passos de Lázaro Barbosa, o homem que espalhou terror no território goiano e no Distrito Federal, e ficou conhecido nacionalmente como o ‘serial killer de Goiás’. O projeto, ainda em fase inicial, pretende reconstruir os dias de caçada que mobilizou as forças de segurança de todo estado.
Intitulada “Invisível – Os passos de Lázaro Barbosa”, o material vai abordar a trajetória do criminoso durante o período em que esteve foragido. O apelido ‘invisível’, que dá nome à série, surgiu em meio aos dias de buscas.
Lázaro era visto em lugares específicos, muitas vezes foi declarado ‘cercado’ pela polícia, mas desaparecia facilmente. A repetição desses episódios alimentou boatos de que ele seria protegido por forças sobrenaturais, o que alimentou um ambiente de mistério e tensão em torno do caso.
Segundo informações preliminares, a série está atualmente em fase de pesquisa, conduzida de maneira reservada pela equipe técnica de direção e arte. Recentemente, a Justiça autorizou que a produtora responsável pela série tivesse acesso aos autos do processo, incluindo informações que estavam sob sigilo. O objetivo é organizar o material para, posteriormente, gravar cenas.
A decisão que liberou o acesso aos autos foi assinada pela juíza Katherine Teixeira Ruellas, da Vara Criminal de Cocalzinho de Goiás. Na autorização, a magistrada destacou que a produtora se comprometeu a utilizar os documentos exclusivamente para fins de estudo e pesquisa, respeitando a legislação e a integridade do processo.
Reabertura do caso
A produção do conteúdo ocorre em um momento complexo sobre o assunto. Isso porque o caso voltou ao centro do embate jurídico depois da reabertura do inquérito que apurou as circunstâncias da morte do criminoso, em 2021. À época, a conclusão apontou legítima defesa por parte dos agentes de segurança, mas anos depois foram levantadas suspeitas de erros na investigação.
Ao todo, foram efetuados 125 disparos contra Lázaro Barbosa. Destes, 38 o atingiram, sendo que 14 projéteis foram localizados no corpo pela perícia. A reabertura do inquérito busca apurar a conduta dos policiais envolvidos na ação. Para o Ministério Público de Goiás (MPGO), o material que embasou a conclusão inicial apresenta “falhas graves”.
Embora a Corregedoria da Polícia Militar de Goiás tenha entendido que os agentes agiram em legítima defesa, o MPGO avalia que o procedimento encaminhado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) contém vícios. Entre os problemas apontados estão a ausência de diligências básicas, como a oitiva de testemunhas e dos próprios policiais envolvidos, além da falta de laudos periciais essenciais, como o exame cadavérico e o registro detalhado do local da morte.



