O Bradesco elevou de 11,7% para 15% ao ano a taxa mínima de juros do financiamento imobiliário, acrescida da Taxa Referencial (TR). O reajuste de 3,3 pontos percentuais foi confirmado à revista Exame pela MySide, empresa especializada no monitoramento de taxas de crédito imobiliário.
A mudança já passaria a valer nesta segunda-feira (26), dia seguinte ao da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Não há, porém, indicação oficial de que o resultado eleitoral tenha motivado a decisão do banco.
Segundo a MySide, o aumento é incomum no mercado imobiliário, em que os reajustes costumam ocorrer de forma gradual. Antes da mudança, as taxas mínimas dos grandes bancos estavam concentradas entre 10,26% e 11,99% ao ano, mais TR. Com o novo patamar, o Bradesco passa a cobrar cerca de três pontos percentuais acima do segundo banco mais caro do levantamento.
– Ao longo de todos esses anos em que acompanhamos as taxas de financiamento imobiliário dos principais bancos do país, nunca observamos um aumento dessa magnitude – afirmou Paulo Prado, cofundador da MySide e especialista em crédito imobiliário.
O impacto pode ser significativo para quem pretende comprar um imóvel financiado. Em uma simulação feita pela Exame, um empréstimo de R$ 500 mil por 30 anos, pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), teria a primeira parcela elevada de aproximadamente R$ 6.020 para R$ 7.246. Os juros totais ao longo do contrato passariam de cerca de R$ 836 mil para R$ 1,06 milhão.
O reajuste também ocorre mesmo em um cenário de queda da taxa básica de juros. Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, na quinta redução consecutiva. Com a mudança, a taxa mínima anunciada pelo Bradesco ficou acima da Selic.
AO VIVO