O estado do Amazonas contabilizou 3.070 incêndios florestais entre 1º de janeiro e 22 de setembro, segundo dados do sistema de monitoramento do comitê de crise estadual. O índice representa um salto de quase 135% em comparação com todo o ano de 2025, quando foram registradas pouco mais de 1.300 ocorrências.
O avanço das chamas coincide com o verão amazônico, período em que as altas temperaturas e a baixa umidade do ar dificultam as operações de controle. A fumaça gerada pelas queimadas atinge diretamente a capital amazonense e cidades vizinhas, impulsionada pelo deslocamento dos ventos.
Segundo balanço da Defesa Civil do Estado, 22 municípios estão em situação de emergência devido à severidade da estiagem, enquanto outros 18 permanecem em estado de alerta. Os modelos meteorológicos indicam anomalia de precipitação negativa para os próximos três meses, mantendo o volume de chuvas abaixo da média sob influência do El Niño.
Impactos na saúde e áreas afetadas
Os efeitos da fumaça e dos gases tóxicos já sobrecarregam a rede de saúde. Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde aponta que mais de 130 atendimentos médicos associados à inalação de fumaça foram realizados desde o início do ano.
As ocorrências se concentram principalmente no entorno da Região Metropolitana de Manaus — incluindo áreas de Iranduba, Autazes, Manacapuru e Novo Airão — e na porção sul do estado, em municípios como Apuí, Lábrea, Humaitá e Manicoré.
Equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e do Instituto de Proteção Ambiental atuam em conjunto para conter os focos e identificar infratores.
De acordo com a administração estadual, a quase totalidade dos incêndios decorre de atividades humanas, como a limpeza irregular de terrenos e a queima de fios para extração de cobre. Especialistas ressaltam a necessidade de conter as práticas de queima e adotar alternativas de manejo sustentável para conter o agravamento do quadro ambiental e sanitário.
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