A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a advogada e influenciadora Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações apontam que Deolane é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia contra Deolane foi oferecida pelo promotor Lincoln Gakiya no último dia 10. Além dela, foram denunciados Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; e Everton de Souza, conhecido como Player ou Temer, considerado operador financeiro do PCC.
Segundo o documento obtido pelo Metrópoles, Deolane atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC. A investigação constatou que uma conta bancária da advogada foi utilizada para o recebimento de depósitos fracionados da empresa de fachada. Relatórios revelaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane, no valor apontado de R$ 27.002.774,72.
Áudios enviados a uma diarista também indicaram que a ré mantinha valores pertencentes ao crime organizado em seus imóveis e nos imóveis de seus filhos. De acordo com o MPSP, Deolane possuía o plano de reestruturação das empresas do crime organizado com transferência para fundos em Dubai, para internacionalizar a estrutura empresarial e facilitar o aporte de capital estrangeiro nos negócios da facção.
Atualmente, Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Sua defesa tem 10 dias para responder à acusação.
O Metrópoles procurou a defesa de Deolane e aguarda uma manifestação. O espaço está aberto.
Demais denunciados
Marcola, o líder máximo do PCC, também foi denunciado como o beneficiário final dos repasses financeiros operacionalizados pela transportadora, com depósitos documentados em seu favor. Manuscritos apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau apontam que ele transmitia ordens sobre o esquema. Atualmente, Marcola está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
O irmão dele, Alejandro Juvenal, e seus sobrinhos Paloma Sanches e Leonardo Alexsander também tiveram seus papéis no esquema revelados na denúncia. Alejandro era co-proprietário oculto da Transportadora Lado a Lado, sendo beneficiário central dos repasses financeiros de origem ilícita, enquanto seus filhos atuam como mensageiros e intermediários do esquema de lavagem de dinheiro.
Já Everton de Souza, conhecido como “Player”, atuava como operador financeiro de Alejandro, constituindo o elo entre a liderança do PCC e o gestor da empresa de fachada. Ele coordenava os repasses financeiros, apontando contas bancárias para recebimento dos valores ilícitos, e foi quem indicou a conta de Deolane para recebimento de R$ 14.500,00 — fração de um total de R$ 29.000,00 a ser repartido entre os irmãos líderes do PCC.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros à Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.



