Homem que matou ex-sogro em farmácia é condenado a 17 anos de prisão
Vítima era policial civil aposentado. Crime aconteceu em 2022 e o homem foi morto a tiros dentro da farmácia que era dono, em Goiânia (GO)
Publicado em 20 de janeiro de 2026, às 12h:38
Divulgação/ PCES
Divulgação/ PCES

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Goiânia – O ex-servidor público Felipe Gabriel Jardim foi condenado nessa segunda-feira (19/1) a 17 anos de prisão pela morte do ex-sogro João do Rosário Leão, de 63 anos. O acusado foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado e absolvido da acusação de porte ilegal de arma.

O crime aconteceu no dia 27 de junho de 2022, dentro da farmácia da qual a vítima era dono, no Setor Bueno. Câmeras de segurança registraram quando Felipe entrou no local e disparou contra o ex-sogro na cabeça. João, que era policial civil aposentado, morreu ainda no local.

A defesa sustentou em plenário que o réu não teve a intenção de matar e alegou que ele enfrentava transtornos mentais à época dos fatos. Os advogados afirmaram que laudos e acompanhamentos nas áreas de Psicologia Jurídica e Psiquiatria Forense indicariam comprometimento do estado psíquico do acusado.

Felipe Gabriel está preso desde junho de 2023, quando foi condenado a três anos de reclusão por ameaça e violência psicológica contra a ex-namorada. Conforme a denúncia do Ministério Público, ele chegou a usar arma de fogo para intimidar a mulher e o filho dela, que tinha quatro anos à época.

Ex-sogro morto a tiros

  • À época do crime, a defesa de Felipe Gabriel chegou a alegar problemas de sanidade mental do cliente. No entanto, um laudo médico pericial apontou que o homem tinha total capacidade de entendimento quando atirou contra o ex-sogro.
  • De acordo com o documento, Felipe tem episódios de humor depressivo associado a sintomas psicóticos, que caracterizam uma perturbação, no entanto, não afetam a capacidade de discernimento dele. Conforme o laudo, ele tinha ciência da gravidade do ato.
  • Após o crime, ele fugiu e foi localizado e preso três dias depois, quando foi achado na casa de parentes.

Motivação

Segundo a investigação, o motivo do crime teria sido um registro de ocorrência feito por João do Rosário contra o ex-genro pelo crime de violência doméstica. O policial aposentado havia presenciado uma discussão entre Felipe e a filha, Kennya Yanka, com quem o rapaz namorou por um ano. Na ocasião, ele sacou uma arma e atirou para o alto.

A ex-namorada do jovem e filha do policial contou que o jovem ligou para avisar que matou o idoso. “Ele me ligou cedo, quando soube [da ocorrência], e falou que ia matar o meu pai. Eu fui correndo atrás do meu pai, mas ele não atendia. Eu peguei o carro e fui para lá, só que o pneu furou, e eu não consegui. Quando eu desci para pedir ajuda, ele ligou para dizer que matou meu pai e ia atrás de mim”, contou Kênnia Yanka à época.

O Ministério Público denunciou Felipe por homicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma, e a denúncia foi aceita pela Justiça.

Insanidade mental

Em outubro de 2022, o juiz Antônio Fernandes de Oliveira , da 4ª Vara de Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri de Goiânia, pediu um exame de insanidade mental a Felipe Gabriel Jardim.

Na decisão, o magistrado disse não ver indícios de que a sanidade mental de Felipe estava comprometida no dia do crime, já que ele passou por exames psicológicos ao tirar porte de arma e ao ser nomeado com cargo na Prefeitura.

À época, a defesa de Felipe ressaltou que ele “tem graves transtornos psiquiátricos”, que requereu o exame de insanidade mental e a internação dele “em um hospital adequado”.

Por: Laura Braga

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